Minha lista de blogs

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

NA NIGHT DE BERLIN


Sexta feira começa a circulação non-stop do metrô para o fim de semana. Nos dias de semana, fecha à 1 hora e volta a circular às 4, em intervalos de 5 a 10 minutos e 15 nos fins de semana. Considerada a cidade mais liberal ou tolerante da Alemanha, Berlin mostra sua cara moderna nos vagões do U-Bahn (Untergrund Bahn=metrô). A diversidade de roupas, penteados, botas, sapatos e maquiagem deixa tudo com cara de "Blade Runner", o filme premonitório, de 1982, do diretor Ridley Scott. Os mais jovens que me perdoem, mas só lhes resta perguntar ao pai Google… e  baixar na internet.

Os bairros de Kreuzberg, Friedrichshein e Mitte são locais que viraram moda desde uns 5 anos, depois que artistas e descolados se mudaram para a região, antes ocupada por desempregados, outsiders e outros bichos sociais. Point de jovens rebeldes, patricinhas, bêbados, gays e assemelhados, os bairros fervem nos fins de semana, com apresentações de bandas independentes nas calçadas e hordas de pós-adolescentes com suas garrafas de cerveja nas mãos.

Tomamos a linha U1 na Uhlandstrasse, e descemos, junto com uma multidão, na estação Schlesisches Tor, que é histórica por ter ficado fechada durante o tempo que durou o muro. A avenida do mesmo nome é lotadas de restaurantes, com mesas na calçada, por onde circulam todas as tribos. O mais curioso: não há clima de violência, perigo de assalto, etc, Todo mundo parece que está mais a fim de diversão com respeito ao próximo, mesmo que este seja um bicho exótico. Mas, a cidade sofre com a liberdade: há garrafas de cervejas espalhadas por vários locais impróprios. Os turistas pagam o pato.

Fomos em busca de um tal Club de Visionaires, badalado pelo bom som e por ser um dos pioneiros instalados às margens de um dos canais de Berlin, num local que antes pertencia a Berlin do Leste. Depois de tomarmos uma cerveja (eu) e um refrigerante ( o bertholdo) no bar Barbie Deineshoffes, tocado por uma lésbica com jeitão de motorista de caminhão, seguimos e acabamos por chegar ao tal local, que exigia 2 euros para entrar. Não nos empolgamos nem com a música,nem com o público. Voltamos sem a claridade do verão, que surpreendentemente permanece até umas 21 horas! A fome bateu e entramos num restaurante asiático, cujos preços em torno dos 6 euros não fazem qualquer mal ao bolso.

BERTHOLDO, QUE NÀO É BRECHT


Dia 26/07, por volta das 15h, desembarcou no Tegel nosso amigo Bertholdo vindo de Paris. Minha segunda visita - a primeira foi o meu amigo inglês no dia anterior -, encontrou Berlin sob um calor intenso, e um céu azulzinho. Peguei o ônibus 109 na Ku'damm para, após exatos 35 minutos,  chegar ao aeroporto. Num ponto de ônibus , o motorista abandonou a direção do veículo para abrir a porta central do ônibus, estender uma pequena plataforma para permitir a subida de uma cadeirante. Percebi que enquanto ele fazia isso, a fila para entrada no ônibus permanecia imóvel aguardando pacientemente a sua volta, mesmo com a porta aberta. A disciplina alemã é admirável. Em muitos outros lugares, jamais o motorista teria esta dedicação com um cadeirante, nem os passageiros o aguardariam em fila.

Desacostumados com condas de calor, os alemães não tem ar-condicionado em casa e nem no transporte público. Melhor foi então pegar um táxi do aeroporto até a Ludwigkirchstrasse, ao preço de 16 euros. Definitivamente, táxi não é um transporte caro em Berlin, se considerarmos que a viagem durou cerca de 20 minutos até Wilmersdorf. 

O  gaúcho Alex, do Café Copa Brasilien
Banhos tomados, levei o Bertholdo para fazer um reconhecimento da vizinhança. Subimos a Uhlandstrasse até a Kud'amm, passando pela extremamente turística Gedächtniskirche , a famosa igreja bombardeada e deixada em ruínas para que ninguém esqueça do fato. Dali, seguimos para Schöneberg, popular bairro gay da cidade.Lembrei do bar do Alex, gaúcho que instalou o café Copa Brasilien Deli, na Motzstrasse, para vender coxinhas, croquetes, guaraná, café e outras brasileirices.  Perguntei-lhe sobre o horário de funcionamento do comércio em Berlin. Explicou: o comerciante pode ficar aberto ininterruptamente, desde que feche por uma hora (difícil é controlar isso…). No mais, cada um pode faz seu horário. Portanto, convém observar o "öffnungszeiten" (horários de funcionamento) afixado nas portas dos estabelecimentos comercias. 

O café Magnifique, embaixo do meu prédio, por exemplo, abre às 7 e fecha às 17h. Já os supermercados fecham entre 21 e 22 horas (o Kaiser's), permanecendo apenas o Ulrich's aberto sem hora para fechar. Uma boa, para notívagos que passam pela estação Zoologischen Garten. Leve sua sacolinha ou pague 0,70 euro por uma nova no caixa.

GERMANIDADES 02


Além dos totens de onde se retiram saquinhos para colocar o cocô dos cachorros, um outro luxo são os hotspots (essa palavra tem a cara da Telefônica…) onde o usuário - sem pagar nada - pode navegar por cerca de 15 minutos na internet ou fazer ligações telefônicas. Ótimo para quem ficou sem bateria no celular e precisa ligar . Ali também se pode obter informações turísticas, horários das principais atrações, etc.

Nas estações do metrô, as máquinas para comprar as passagens também estão preparadas para carregar celular pré-pago de praticamente todas as operadoras. Conhecimento mínimo da lingua alemã se faz necessário, ou apela-se para o "Quem tem boca vai a Roma". Em geral, os jovens falam muito bem inglês e raros arranham espanhol, muito raros.

GERMANIDADES 01


Berlin conta com pouco mais de 3,5 milhões de habitantes, mas tem muito mais linhas de metrô do que a superpopulosa São Paulo, que nem foi bombardeada (a não ser por governantes). Além das 10 linhas de metrô (estações sinalizadas com um U em fundo azul),  com suas 173 estações  num espaço de 146 quilômetros, a cidade tem os ônibus articulados ou de teto duplo (como os londrinos) e os Trams, que são os tróleibus, que circulam pelo que foi Berlin Oriental. Disseram-me que eles são um dos poucos indícios de onde era a DDR.

E, apesar de Berlin não ser uma Munique, como já comentei, a pontualidade do transporte público é surpreendente. Não para os alemães, porque há poucos dias um jornal de Berlin criticou em manchete os frequentes atrasos "de menos de 4 minutos" nos trens da linha S. Dizia a reportagem que APENAS 94% dos trens circulavam no horário! Como todo turista sabe, as estações  do metrô não tem catracas e compra-se o bilhete nas máquinas, quer sejam os simples , de 2,30 euros ou os que valem por uma semana ou mensal (74 euros). Os bilhetes simples valem por duas horas de uso em qualquer transporte público.Para quem permanecer mais tempo, vale a pena investir no mensal, que passa a valer a partir do momento em que é emitido, seja nas máquinas ou nos quiosques de jornais (nestes, só em espécie). Quem tem dificuldade com o idioma, aconselho comprar nos quiosques, onde se fala inglês.

Quem é cara-de-pau e ousa viajar sem pagar, pode ser surpreendido por um fiscal, que circula disfarçado de passageiro, e ter de pagar uma multa de 40 euros e ainda receber olhares atravessados dos demais passageiros que honestamente pagaram a passagem.

Paisagem da varanda do ap.: muito verde
Sei não, mas no quesito verde, é muito provável que a cidade ganhe de nossa João Pessoa. Praticamente, cada bairro tem seu parque e entre as ruas várias praças com árvores, muitas árvores, fontes (adoro!!!), bancos para descansar, observar, ler o jornal, namorar, tricotar com os vizinhos. E… banheiros públicos automatizados!!!!! Eles são lindos por fora e por dentro. Paredes  de aço escovado, eles permitem que o usuário, por 0,50 de euros, permaneça no seu interior por 20 minutos, tempo suficiente para fazer muita coisa. Ao inserir o dinheiro, a porta abre-se automaticamente e fecha quando se entra. Sim, dá uma sensação de claustrofobia sim. Mas, duvido que na necessidade, alguém vá pensar nisso. E o susto passa, quando se vê que há um botão em que o próprio usuário pode apertar para abrir a porta. Os 20 minutos são apenas o limite maximo de pernanência. A higienização é automática, assim que o usuário deixa a cabine.


ALEMAO, DE NOVO!!!


Minha confessa mania de perfeição me levou a mais dois cursos de atualização na língua alemã, desta vez na Volkshochschule. Eles ocuparão praticamente todo o mês de agosto, numa unidade instalada numa praça  (Barbarossaplatz)- pra variar - linda, a algumas estações de metrô de casa, mas muito perto da minha academia de ginástica (aquela cujo dono é o Maike, do hotel onde fiquei na Primera Temporada). Os preços são camaradas, comparados com o que cobram as escolas particulares de línguas. Pelo menos, aqueles são na Universidade.

Porque não ando com meus certificados, mais uma vez me submeti a um teste de avaliação, que me garantiu a vaga nos dois cursos. Enquanto aguardava ser atendido, observava o público: uma negra gorda com um filho que chorava ininterruptamente, fazendo coro com um outro filho de uma mãe argentina, médica, casada com alemão, mas que não conseguia falar a língua do marido (isso eu a ouvi contando para uma alemã que dizia preferir ser espanhola). Uma mãe muçulmana, com aquele lenço cobrindo os cabelo e a túnica escondendo a gordura, tentava consolar o filho ruivo que gritava, para o desprazer meu e - na verdade - de todos que ali estavam.

Meu número era 33 e o luminoso mostrava o 14. Pensei em voltar outro dia mais cedo. Mas, porquê, se não tenho nada mais importante para fazer, pensei. Melhor ficar observando…

MINHA PUTZFRAU POLACA


Hoje (24/07) é dia de faxina. A putzfrau (faxineira) polonesa, Hanja, acaba de chegar. Uma simpática senhora com cara de 47 anos. Embora tenha a chave, tocou o interfone e a campainha da porta. Depois dos cumprimentos de praxe, mas risonha, me pergunta se tenho algum pedido especial, algo mais do que ela já vem fazendo para Janine. Disse que não e que ela apenas tentasse eliminar as manchas de panelas na bancada de inox da pia. No mais, o de sempre, disse ela. Passar o aspirador e reaplicar um produto no piso de madeira. Deve ser para manter aquele aspecto fosco-poeira, que é a única coisa que me desagrada na casa.

Mas, quem disse que eu me contentaria com um simples cumprimento prussiano?! Baixou o espirito do jornalista e enchi a pobre polaca de perguntas. 
Hanja nasceu em Zakopane, uma minúscula aldeia nas montanhas polonesas, na verdade uma estação de ski, tem dois filhos já adultos e é separada do marido. Veio para Berlin há mais de 20 anos. Calculei e ela confirmou: antes da queda do muro. Pensei em perguntar em que circunstâncias ele veio pro outro lado… mas, seria demais. Comentei que planejava ir à Cracóvia para conferir os elogios que fazem a ex-capital da Polônia e única que não foi bombardeada durante a Segunda Guerra, e hoje considerada pela Unesco Patrimômio da Humanidade. Ela concordou e ainda me deu dicas de outras cidades que mereciam ser visitadas. Isso é que é faxineira boa, não a minha Leda.

Diferente de Leda, que mora em Campo Limpo Paulista, a minha faxineira polaca mora depois de Stiglitz, num bairro do subúrbio de Berlin, numa região residencial rodeada de pinheiros de Natal, bosques e riachos limpos. Nada a ver com o conceito de subúrbio que temos. Tem metrô, mas ela prefere vir trabalhar guiando seu próprio carro. Não sei se vale a pena, porque só de estacionamento ela gastou 6 euros (3 euros/hora). 

Hanja não tinha a menor idéia de onde provinha meu alemão. Pedi que tentasse adivinhar, mas foi inútil. Quando revelei minha nacionalidade, Hanja abriu um sorrisão, acrescentando que eu vinha do outro lado do mundo! Concordei.

VERÃO, UHU!!!!!!!


Enfim, o verão! Pernas (e muito mais) de fora, praias (de lago) lotadas e o Tierpark como um Ibirapuera (menos, né?!) num fim de semana. Os berlinenes - e eu, como bom brasileiro - estávamos ansiosos pela chegada do sol. Não só nas rádios, como também na TV, a chegada do calor vem sendo divulgada com sonoros "Uhu!!!"de alegria. Nada de se espantar para quem passou outono, inverno e até um bom pedaço da primavera dentro de casacos, botas, parkas e moletons. A previsão é a de que a temperatura chegue aos 31 graus até o fim de semana! Uhu!!!! Só espero que esse calorzinho não se transforme na calamidade que ocorre com os ibéricos!

Eu, de minha parte, aposentei meu ja surrado moleton da Nike e tirei do guarda-roupa minha bermuda. Guarneci a geladeira de alguns litros de água, porque o verão promete e inclui na mochila meu protetor solar. O verão coincide também com as férias escolares. Já se veem hordas de estudantes com suas mochilas e sandálias enchendo as ruas da cidade. Um verão colorido, um verão loiro.

E, se esquentar muito,alguém me envia via Sedex uma daquelas frentes frias que a Argentina manda para o Brasil!