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sábado, 30 de outubro de 2010

POLINÉSIA - PARTE 10

ÚLTIMO ALMOÇO

Sol se foi, mas a chuva não veio. O dia está nublado, sem muito calor. Poderia ter ido almoçar fora do hotel, mas fui seduzido pela cozinha, cujo chef nem sei quem é, mas que tem mãos de ouro, isso tem. Faz uns pratos que, como dizem, é para comer rezando. No jantar de ontem, antes do show no Tiki Village, pedi um risoto com frutos do mar. Sem dúvida, é para qualquer Carlota chorar de inveja.

Hoje, no almoço, pedi um Plate Mediterrané, mais um a taça de bordeaux Alixis Lichine rouge. (veja a foto) O mais impressionante não é apenas o sabor, mas também o esmero com que os pratos são preparados. Com certeza, ninguém é capaz de fazer aquilo com desprezo. É preciso amar o que faz. Isso é tudo, numa cozinha. Quem curte gastronomia, precisa passar pelo Pearl Resort Moorea, da cadeia South Pacific Management (www.spmhotels.com). Para não vir a concorrer com os nativos, num futuro longínquo, claro, preferi não provar as sobremesas. 

Se eles são bons de prato, não ficam atrás no quesito coquetelaria. Decidi experimentar. Fui ao bar e pedi à garçonete de flores no cabelo o que houvesse de mais típico entre os conqueteis.  De bate pronto, ela me sugeriu o MAITAI. É uma mistura de run, suco de banana, de laranja e uma fruta chamada Grenadine, um berry para mim desconhecida. O que importa é que é uma saborosa, de um colorido lindo (veja foto), mas fraca, claro, para alguém que está acostumado com caipiroscas, como eu. 




POLINÉSIA - PARTE 9 (PAREÔ)

 DE PAREÔ, SIM  SENHOR

Vamos usar pareô?
Quem acha que pareô, ou canga, é coisa de moçoilas das areias de Ipanema, está redondamente enganado. Por aqui, esta vestimenta, um retângulo de 1,50cmx2,00, é usado por homens e mulheres e de diversas formas. No Tiki Village, numa bela dançarina mostrou, com incrível habilidade, como transformar aquele pano em roupas muito transadas, em questão de minutos.

Depois, foi a vez de um gorducho (sim, os rapazes são grandes e, na maioria das vezes, muito adiposos!), sem camisa, mostrar como os homens podem ficam bem de pareô.  No fim, a gente acaba achando que cai bem, apesar do estranhamento inicial.

Aqui no hotel, os rapazes da manutenção usam, na maior,  suas saias coloridas. Observei também que são muito vaidosos. Além de terem belas tatuagens (elas nasceram aqui pelas ilhas do Pacífico) pelo tronco e até no rosto, usam cabelos compridos, geralmente presos num coque , adornados por uma  tiara de folha de coqueiro enfeitada de flores (ou não). Querem coisa mais metrossexual ???????

FRANGI PANIER OU TIPANIER


Fauvette, a camareira com Tipanier (flor vermelho-amarelada) no cabelo,  chegou para limpar o quarto. Pena, ela nunca ouviu falar do Brésil, nem de Pelé, nem de samba. Ronaldinho ou Ronaldo “ne existe pa”. E só fala algumas poucas palavras de inglês... Me senti professor de Harward. Vou comprar mais umas horas de internet, enquanto ela trabalha.  A’nanahi ( até já, em taitiano, ensinou-me Fauvette).

Ao sair, percebi que o sol se fora, mas o calor externo é recifense: de, no mínimo, 27 graus. Aproveitei para confirmar, na recepção, o meu check-out  para amanhã, pela manhã. Tudo OK. A bordo de um carrinho de malas cruzei de novo com um hóspede que vira por duas vezes no restaurante. Pareô colorido, peito nu, barriga pronunciada e muitas tatuagens sobre a pele morena, sorriu para mim quando em me preparava para fotografar a cena (veja a foto acima). O motorista também usava habitual pareô azul, com desenho de flores. E eu turistando... 

Impossível  não se dar conta de que há uma cultura de se reverenciar  as flores. Elas estão em todos os lugares, nos cabelos, nas vestimentas, sobre as mesas, em folhetos, rótulos. Será que isso não vai ficar over no final da viagem? Vejamos depois...


POLINÉSIA - PARTE 8 ( FLORES NO CABELO)

C’EST  LA  VI, MON AMI!

Flor Tipanier amarela e branca
Pelo que vejo e converso com este povo insular polinésio, tudo é mesmo muito relativo. Não sei explicar como e porque não vejo por aqui nenhum adolescente tahitiano com cabelo de Justin Bibber, nem mocinhas vestidas como clones de Lady Gaga! O que vi por passeios pela ilha são pessoas vestidas como sempre se vestiram e... sem afetação de mostrar que são adeptos desta ou daquela crença. Vestem-se com roupas coloridas e usam o cabelo longo (sem chapinha) com flores porque aquilo faz parte da vida deles, punto e basta.

No meu papo com a camareira, perguntei-lhe o que mais ela amava no Tahiti. Ela me respondeu, com sorriso largo: a natureza, os pássaros, as flores. E o que mais detestava? Os carros , o barulho, a poluição. Se não fosse por fazerem  girar a economia do arquipélago, ela incluiria os turistas! No que faria muito bem!

PARAÍSO PERDU

Não há como não lembrar do meu amigo Viegas que sempre que quer relatar um lugar bonito, cita trecho do livro espírita “ Nosso Lar”. Pois seu eu disse que por aqui a descrição cabe como uma luva, alguém iria acreditar? O que dizer então de um lugar, cujo ar emana um perfume suave e inesquecível?  As árvores estão sempre com flores perfumadas, que caem e ficam por ali mesmo, sem que ninguém pensei que é lixo e as recolha.

Meu chalé também visitado por carangueijos 
Os pássaros, cantando, parecem felizes. Andam, sem receio do homem, pulam , chegam perto e dão voos rasantes. Cheguei a pensar que seriam movimentados por algum controle remoto para impressionar turista! Ontem, quase não acreditei quando, ao chegar ao meu “bungalow”, fui recebido por um visitante inusitado: um garangueijo. Pode? Com aquele jeito meio de lado, me olhou e entrou no seu tunel, que deverá levá-lo até o mar. Pensei no suposto tunel que diziam existir entre os conventos de freiras e padres...

Pássaros são os donos do pedaço
Ainda sob os efeitos tardios do jetleg, na minha primeira noite neste hotel de Moorea, acordei com um barulho vindo da pool. Era como alguém dando batidinhas numa madeira. Toc, toc, toc.  De cara, passou pela minha cabeça cenas daqueles filmes B americanos em que tribos exóticas sequestram turistas para tirarem-lhe os órgãos ou para executá-los em cerimônias secretas. Alucinações minhas. Depois, voltei  a ouvir o mesmo som que me disseram ser produzido por um pássaro noturno de nome impronunciável. Ufa!

Por via das dúvidas, comprei ontem uma minilanterna, com luzinhas de led,  que me custou apenas 250 cfp. Útil, ela me deu garantia de chegar ao meu chalé na noite escura desta sexta-feira, sem atropelar no caminho  alguma coisa estranha. Aproveitei a ida a um minshopping, localizado a uns 500 metros do hotel, para comprar um leitor de cartão que já me fez descarregar minhas fotos, substituindo o cabo que esqueci em Sampa. 

Quarto com pool privativa (foto abaixo)





POLINÉSIA - PARTE 7 (PEIXINHOS)

LET THE SUN SHINE IN !

Devo uma explicação aos que sabem da minha mania secular de viajar sozinho. Adoro mesmo,  e acho que uma viagem é também um encontro com as minhas interrogações. Mas, deixando a psiquice (existe a palavra?) de lado, vamos ao que interessa. Ela me foi apresentada ainda em São Paulo pelo talentoso Benjamin Moser e eu a escolhi para ser minha companheira de  viagem. Clarice, com suas 638 páginas, é o livro que conta a vida da escritora Clarice Lispector, um presente do meu amigo Neri no meu aniversário passado. Valeu meeeesmo, merci!!!

Tiare é a flor branca, da direita
Acordei hoje, 30/10, com a claridade do meu quintal com piscina (rsrsrsr) entrando pelo meu quarto, gritando alto que o sol voltou a brilhar, Let the Sun Shine In (está é para o Márcio Riscala!!). Demorou, hein, senhor sol!!! Mas, antes tarde do que nunca. Corri para o banho com sabonete de óleo do quê? De Tiare, claro! Me vesti correndo para ver o cenário com nova iluninação e, óbvio, me deliciar com as frutas do café da manhã.

Os melros me fizeram companhia (deixei Clarice dormindo!), volteando com voo rasante as  mesas e os hóspedes. Ninguém liga mais. Eles ficam picando nossos alimentos e fazendo aquilo aqui e ali. Let it Be, porque, na  verdade, o que vale é que tudo fica mais bonito com iluminação do astro-rei. Aproveitei para fazer minha câmera trabalhar!

Mergulhei nesta praia de areia  branca e água transparente
Fui até a praia e resolvi entrar na  água. Sorte que havia comprado um daqueles shorts de náilon comprido que o mundo (fora o Brasil) usa nas praias e piscinas! Sunga, nem pensar! A água, além de impressionantemente transparente em qualquer profundidade, é morna, como a do Nordeste brasileiro e igualmente salgada!

Lembro de apenas dois lugares no Brasil onde a água é tão transparente. Em Noronha, e numa prainha que eu costumava visitar: Praia da Figueira, em Trindade, Paraty. Não duvido (viu, Vulmário?) que haja alguma outra praia brasileira, talvez em Maceió, que tenha tal transparência. Enfim, querem coisa mais linda?

peixinhos vieram encarar o intruso
Pensei em pegar um snorkel, mas nem precisa. Cardumes de pequenos peixes coloridos ficam meio que brincando de esconde-esconde com você. No início penquei que estivessem confabulando para um ataque em massa a este intruso branco. Mas, não. Eles chegam, dão uma olhada, muitas vezes em formação de passeata petista, e saem comentando alguma coisa com os outros. Vi um todo azul, que – como todo ser lindo – fez chame para voltar a aparecer para o papparazo brasiliano.

POLINÉSIA - PARTE 6

TURISTANDO SEM CULPA

Para minha irmã não dizer que sou um pão duro, mão-de-vaca, dos maiores, decidi gastar meus euros no que todo mundo chama de programa para turista. Nem aí. O que eu iria fazer numa noite chuvosa , numa ilha minúscula, no meio do Oceano Pacífico?  OK que a companhia de Clarice é superagradável. Mas, “este  es a parte”, como diz minha deusa Marina de la Riva.(curiosidade mata, viu?).

Fui até ao lobby do hotel e lá estava a bela Dani que fez o meu receptivo. Bom soir, gaguejei e ela, sorridente, me informou sobre o programa de turista daquela noite. Pelo  preço “módico” de 10.000 cfp (119 euros), com jantar; ou 570.000 cfp, o hóspede do Pearl Resort Moorea  poderia ver um espetáculo de dança folclórica, com aquelas mulheres de sutiãs de coco e saia de palha de coqueiro, no TIKI VILLAGE.  Ok, Clarice que me perdoe, mas o deus protetor do homens no Tahiti, o sr. Tiki, ganhou esta parada.

Uma van veio nos buscar (a mim e a um grupo barulhento de “english speakers”). O tal Tiki Village é um espécie de centro cultural de tradições tahitianas. Ali se fazem tatuagens, aprende-se a pintar pareôs  e a vesti-los (sim, tem diversas maneiras!). De quebra, pode-se até aprender  a rebolar os quadris, incluindo-se aí os dançarinos do sexo masculino!!! Detalhe: paguei mico fazendo isso com uma tahitiana no palco do show, pode?  Riam, por favor.

Numa arena com palco de areia, cerca de 40 bailarinos apresentam várias danças,entre elas  a do fogo. Devo admitir que é bem bonito, sim e, muito  sensual o jogo de mãos e quadris. Milhares de anos-luz de distância das horrendas dacinhas da garrafa e similares mais atuais que abundam pelo nosso país. Eles são bons atores e parecem fazer aquilo com extrema alegria. Aliás, alegria por aqui é quase constitucional. Também com toda esta boniteza rodeando tudo com flores e perfumes de Tiare!  Paul Gouguin e mister Brando não foram nada bobos. Micos à parte, nem eu.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

POLINÉSIA - PARTE 5

POMBINHOS EM HONEY MOON
Já me haviam advertido, mas não dei a mínima. O Tahiti se tornou palco de casamentos de ricos e famosos, das aderianes galisteu da vida. Portanto, eu já nem esperava mesmo uma atmosfera Ibiza ou Mikonos. Paciência, nem tudo é perfeito. Os casais, aliás, de todas as idades, fazendo suas bodas ou curtindo sua Honey Moon são maioria absoluta nestes resorts. Parecem ter sido feitos para agradar este público. O meu quarto foi apresentado com uma surpresa especial pela recepcionista Dani (morena, flor no cabelo, roupas coloridas): uma piscina particular na varanda, totalmente indevassável. Ideal para pombinhos lua-de-mel...
Para o bem e para o mal, até o momento, cruzei com pouquíssimos brasileiros identificáveis. Além do cara da Geo., dois casais estavam no mesmo hotel que eu em Papeete. Nem no avião, nem nos hoteis vi crianças turistando com os pais. Acho que o barulho perturbaria o silêncio cor-de-rosa dos pombinhos em lula de mel, pensei cá com meus botões e zipers. Hummmmmm...
PETIT DEJEUNER ( pardon pelo meu péssimo francês!)

Acordei cedo - tipo 6h - com a orquestra sinfônca "natureza do tahiti". Os pássaros madrugan e fazem a maior farra. Como disse a Ivanna, a taitiana que veio arrumar meu quarto, o mais belo da Polinésia é a natureza. D'acord, disse eu, tentando falar o resto do meu francês de ginásio. Ela compreendeu e eu já me considerei um français. rsrsrsrrs

A fo,to prometida
De máquina em punho, fui fazer umas fotos aproveitando o esconde-esconde entre sol e nuvens. Deu até para fazer uma bem bacana em que estou na frente dos chalés palafitas, que prometo postar assim que eu conseguir comprar um cabo para minha camera sony. Pecado mortal para um bom leonino: esqueci o bendito acessório em casa. Só meu amigo Érico, o Senhor da Web, me socorreria nesta hora!

O café da manhã estava posto às 6h30 em ponto. Banho tomado com sabonete feito com óleo da Tiare (aquela florzinha branca símbolo do Tahiti de que falei antes), aliás jamais vi coisa mais "fantastic", como diria o Maurício. A chuva deu uma trégua para me deixar chegar ao restaurante. Pelo corredor, tive de responder vários Bon Jour. Sentei-me à mesa e uma garçonete com derrière de fazer inveja à Mulher Melancia me trouxe serviette e talheres, claro, sem deixar de fazer a pergunta que já ouvi várias vezes: o senhor está só?

Na companhia dos ousados Melros, comi fartamente. As frutas, abacaxi, melão, laranja são estremamente deliciosas.Mais do que as nossas.

POLINÉSIA - PARTE 4

MELROS DESTEMIDOS


Houve uma época, contou-me o colega da National Geografic, que os pássaros negros do tamanho de uma pomba, que hoje voam destemidos por entre as mesas dos restaurantes, vinham comer na mão do cliente. Deve ter sido nos tempos do pintor Paul Gauguin. Porquenem mesmo Marlon Brando, que comprou uma ilha por aqui e nela viveu, desfrutou de mais esse privilégio. De qualquer forma, ainda é surreal ter pássaros tão grandes ao alcance da mão e fazendo evoluções por entre as mesas! Confesso que achei bacana, fora o estranho hábito de fazerem suas necessidades  bem ali..., para o desespero das garçonetes nativas.
Como não sou ornitólogo, mas jornalista, perguntei à garçonete  o nome da ave. Sorriu embaraçada e consultou em taitiano a colega de trabalho. São melros, disse. O almoço  foi servido no restaurante à beira da piscina de onde se descortina aquela famosa paisagem de cartão postal que quer vender o Tahiti: chalés sobre palafitas fincadas num mar azul.
Um simples peito de frango, temperado com alguma coisa agridoce deu o toque especial, garantindo um sabor inesquecível. Claro que fatias de coco decoravam o prato (coco é, talvez, a fruta mais usada na culinária polinésia). Pra arrematar, uma taça de vinho da região. Nada a criticar, já que eles não têm tradição nesta área. Mas, vinho é sempre bom. Do cardápio também faziam parte pratos com peixes crus, lembrando a cozinha oriental de modo geral, porém com a pitada de molho picante. Como os tailandeses, que adoro. Dos preços, já falei lá em cima.
LABIRINTO DE FAUNO
O céu é um mistério. Ora abre e parece que vai firmar, para logo depois se cobrir de nuvens pesadas. O calor em Moorea é constante, calculo que por volta dos 27 graus, inclusive à noite. Aproveitei  uma destas aberturas do céu para fazer algumas fotos. Este é meu segundo dia na Polinésia e ainda estou na fase do tênis, enquanto percebo que outros turistas já estão na fase das havaianas. Sou assim, preciso de um tempo para chegar ao ponto certo. Pelo menos, bermuda e camiseta já saíram da mala. Temo voltar a SP coma ma mesma cor que sai, se o sol não aparecer de verdade.
Uma dica. Os resorts são enormes e os chalés ficam espalhados pelos jardins que são verdadeiros labirintos. Tente marcar o caminho para o seu, porque de tão igual você pode, sem querer, pagar o mico de meter a chave no chalé errado. O mais importante, porém, é ter sempre fácil uma pequena lanterna de bolso, porque à noite o labirinto se torna impraticável e a chance de você se perder é enorme. Amanhã, vou correndo comprar a minha.