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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

UBUD DAS ARTES

Bali é uma pequena ilha no maior arquipélago do mundo chamado Indonésia e Ubud apenas um distrito no centro da ilha. Sem qualquer análise mais aprofundada, só sei dizer que decidi começar por Ubud a minha viagem de 30 dias a Bali porque sabia que não era beira-mar e que a vibe ali seria mais cultural, artística, religiosa. Tudo que eu precisava para contrapor ao primeiromundismo alemão de Berlin.

Acertei na mosca. A cidade, ou distrito,  caminha a passos lentos, com seus habitantes ainda pouco - pelo menos fora do  Ubud Center - contaminados pelo vírus do turismo desenfreado. Basta sair uns 3 quilômetros do centro nervoso, para se sentir que aquele mundo parou no tempo.

Terraços de arroz, em Ubud


A paisagem é de terraços de plantação de arroz de um verde que enche as vistas. Nos caminhos serpenteando os morros, mulheres com seus sarongues do dia equilibram varias cestas na cabeça e crianças brincam despreocupadas abrindo um sorriso amigo para qualquer forasteiro estrangeiro que por ali passa.

A cada entrada numa vila, um portal é vigiado por duas estatuas de deuses, em cujos pés sao depositadas varias oferendas. Aliás, esta religiosidade enche Ubud de templos com suas torres sobrepostas rebuscadas de detalhes e seus altares cobertos de panos sagrados.


Pelas calçadas, que pedem urgentemente mais cuidado da administração pública, moradores e comerciantes depositam oferendas aos deuses, num ritual compenetrado acompanhado de orações comedidas. Ubud, por capricho dos deuses, se mantém distante culturalmente das tribos de surfistas, que habitam o litoral da ilha de Bali. Mas, o lixo pelas ruas é o mesmo...

VISITANTE INDESEJADO

Nasci num país tropical, com matas, florestas e tudo que advém delas. Mas sou um bicho urbano. Portanto, insetos, répteis e qualquer animal silvestre, dos menores aos médios ( para não falar dos grandes! ) não fazem parte do meu ciclo de amizades. E a Indonésia abriga uma fauna, que tem nada menos do que o Dragão de Komodo, um lagarto gigantesco e horripilante, como uma das suas atrações turísticas.

Uma coisa é saber, ler, ouvir falar, ver na TV. Outra é fazer parte deste filme, do qual os protagonistas são rastejantes,  lagartixas quase minidragões e ratos, entre outros coadjuvantes tao simpáticos quanto. Pior, para mim, é que não se deve matar sequer ratos. No maximo, meu anfitrião providencia uma cola na qual eles ficam grudados e pela manha são liberados e devolvidos vivos à mata.

Nas primeiras duas noites, o chalé era de alvenaria com teto de palha trançada. Tudo maravilha, nem um pio menos desconhecido. A terceira noite já foi no belíssimo chalé estilo balinês: teto de palha ripada, piso e paredes de madeira com caibros de bambu. Perfeito,  não fosse estar praticamente dentro da mata.

Fascinado pelo cenário deslumbrante, dormi pesado, desfrutando as delicias de uma cabana de luxo. Na noite seguinte, os sons da floresta se fizeram presente, alguns assustadores, parecendo estar a poucos metros de sua cama. E estava. Um baque no assoalho de madeira, me despertou para a presença "singela" de um senhor ratão.
Mesmo não tendo medo, a simples presença de um bicho que pode ousar subir na cama, deixa qualquer um assustado.


Bom, vamos relaxar que sou mil vezes maior do que ele e, com certeza, será ele quem vai fugir de mim. Claro, esta dialética, só baixou em mim porque não havia outra saída.
Oferenda aos deuses, colocadas na calçada das casas e lojas
Sentado na cama, vi o visitante indesejado tentado passar por uma brecha da porta do banheiro. Fiz o que minha razão aconselhou: assustei-o com uma batida forte no piso de madeira. Ele correu e eu abri a porta do banheiro.


Desesperado, aparentemente mais do que eu, o ratão correu, passou pela porta do banheiro e, como um maratonista, subiu em segundos para o lavatório, e dali fugiu por uma fresta entre o belo telhado e a parede. Fechei a porta e fui dormir, com a certeza de que, pelo menos, naquela noite não receberia outro hospede daquela espécie.

CARO OU BARATO, EIS A QUESTÃO


Chalé em Ubud


Regra geral, costuma-se vender Bali como um destino barato. Como nem sempre é a relação custo-benefício que determina o valor das coisas compráveis, sempre digo que barato ou caro depende muito mais do tamanho do bolso de cada um ou da cotação da moeda do seu país.

Um chalé com todo o conforto em Ubud, medindo cerca de 40m2, mais café da manha, reposição diária de água potável no frigobar, ar-condicionado e demais itens básicos, por 40 dólares para 2 pessoas é barato. Já um tour de 8 horas de duração, em carro com motorista/guia, por 60 dólares pode ser considerado barato? (a conversão mais comum em Bali é a de 1 dólar para 10 mil rúpias).

Sim, a relação custo-benefício, no caso da alimentação, faz sentido em Ubud, Bali. Um buffet self-service, com cafe e sobremesa incluídos, num local turístico, custa apenas 10 dólares. E se você preferir usar os serviços de um delivery  vai pagar cerca de 5 dólares por um prato individual bem caprichado, o mesmo valor de uma pizza ou uma massa. Um capuccino - ou um suco natural - vale menos da metade disso. Nos chamados "warungs" (restaurante popular em balinês), o preço cai para uns 3 dólares. Mas, é como comer um PF num boteco de esquina. Encara quem quiser.
Baixos do chalé, em Ubud

Um chip (cartão Sim) para celular pode ser comprado em qualquer lugar pelo preço minimo de menos de 50 centavos de dólar. Claro que você vai ter de carregá-lo com, pelo menos, 10 dólares para navegar e falar. A recarga vai depender, logicamente, de quanto você usa a conexão de voz e dados.

O serviço de traslado do/para aeroporto em carro particular, considerando-se um percurso de cerca de 45/50 minutos, custa 25 dólares e uma massagem pode custar de 40 mil a 80 mil rúpias dependendo da duração e do tipo escolhido no centro de Ubud. Nos hotéis, este preço é multiplicado por dez. Fica a dica.


Com uma gorjeta de 20.000 rúpias (2 dólares), o "sortudo" vai lhe agradecer pelo resto da vida. O normal é a metade disso, segundo meu motorista/guia Ketut. Em tudo - ou quase - cabe a teoria da relatividade do velho Einstein.

MORADA DOS DEUSES


A morte, para os hindus balineses, é apenas uma porta para as demais reencarnações, que só se encerram quando se consegue atingir o estado de purificação chamado "moksha". Ao morrer, o parente pode enterrar o corpo e depois cremá-lo, ou diretamente levá-lo à cremação, num ritual cheio de significados, do qual toda comunidade participa, inclusive as crianças.

Informado pelo meu anfitrião, assisti, vestindo sarongue obrigatório, a uma destas solenidades de cremação. As mulheres preparam e levam oferendas para seus mortos. É um dia de alegria, de libertação e por isso ninguém deve chorar para não atrasar a reencarnação. Dentro das grandes urnas levadas pelos homens e crianças estão os ossos que serão incinerados. 



Todos os ossos (desenterrados três dias antes) são colocados dentro daquelas figuras em forma de touro junto com as oferendas. Tudo isso é queimado no final da cerimônia, libertando os espíritos para a reencarnação (no primeiro parente que nascer) ou irem para o paraíso, logo que as cinzas forem despachadas.

Chamada Ngaben (retorno às cinzas) esta é a segunda (a primeira é o enterro) parte do ritual pós-morte no hinduísmo. A terceira acontece 12 dias após a cremação, quando as cinzas são atiradas ao mar ou num rio próximo. É considerado o fim da purificação.

Deste ritual comunitáriosó participam as famílias sem recursos para uma cerimônia particular. Por isso se juntam, se cotizam e escolhem um dia para a cremação coletiva.
Somente os sacerdotes não são enterrados. Quando morrem, os corpos permanecem com a familia até que consigam dinheiro suficiente para uma cerimônia de cremação nos moldes do ritual indiano, ou seja, num templo de frente para o mar.

Às vezes é dificil esconder a tristeza

Bali é conhecida como a cidade dos deuses. A trindade máxima do hinduísmo - Brahma,  Shiva e Visnu- é acompanhada por centenas de divindades, cada uma delas responsável por proteger uma atividade humana. Isso, sem contar com os espíritos malignos, que são afugentados por esculturas em forma de dragões com a língua de fora.

Nos portais das casas geralmente está uma destas figuras e dentro o templo com escultura de uma divindade, além de altares, muitos altares onde são depositadas as oferendas, em graciosas cestinhas ou folha de bananeira. Grãos de arroz, flores e um biscoito fazem parte deste presente ao divino. Não bastasse a grande quantidade de deuses, os balinenses ainda consideram sagradas algumas árvores ou mesmo determinados locais, que recebem uma faixa indicativa de tecido quadriculado branco e preto.

Uma cena curiosa acontece todos os dias e sempre na mesma hora: silenciosa e compenetradamente, a esposa de Ketut, repõe as oferendas não apenas nos altares, mas também em alguns lugares da casa. O incenso faz parte deste ritual.  E jamais deve-se reaproveitar o que foi oferendado.

Mulheres levam oferendas aos seus mortos

Politeísta e extremamente complexa em seus conceitos, a religião hindu - a terceira maior do mundo em numero de seguidores - em Bali difere um pouco da praticada em outros países. Por toda a cidade, há estátuas enormes das figuras de divindades, adornando os portais que dividem os bairro

Elas também protegem os principais cruzamentos da cidade. Só não impedem a formação de intensos congestionamentos que misturam automóveis (esmagadora maioria de marcas japonesas), e centenas de barulhentas motocicletas, principal meio de transporte do balinense.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A PRIMEIRA NOITE

Meu anfitrião, sr. Ketut e família

Infelizmente, para mim, a escuridão da noite é um mistério doloroso. Tudo adquire outras formas, contornos, significados mutantes. Por isso, da minha primeira impressão noturna de Bali fica apenas a visão agradável do meu quarto estilo balinês moderno.
Uma varadinha, contornada por paredes revestidas de bambus e decorada com móveis balinenses, dá para um quarto de 2 camas de solteiro. 

Um ventilador de teto branco combina com os lençóis alvíssimos sobre os quais deitaram graciosas flores naturais, iguais as usadas à exaustão em Bora Bora, na Polinésia francesa. Tudo muito Ok para uma tarifa de 20 dólares com café da manha servido na varanda do quarto. Uma ducha revitalizante e uma cama gostosa me caíram mais do que bem na minha primeira noite sob o céu de Bali.

BOM DIA, BALI

"Good morning, sir. Breakfast!!" , foram as primeiras vozes femininas na minha primeira manhã balinense. Era o meu café da manhã que o senhor Katut, gerente da casa, me prometera, com toda a gentileza nativa na noite anterior, me pedindo para escolher o que constava de um menu básico.

Sobre a mesinha na varanda, ao lado de um pequeno arranjo de flores vermelhas e amarelas: uma tigela com mamão, melão, melancia e abacaxi, cortados em cubos Num prato, ovos mexidos, duas fatias de pão de forma. Perguntei pelo café e a moça apontou para um pote de vidro com um pó escuro dentro. Vendo minha cara de espanto, ensinou-me a fazer o dito "café Bali":  colocam-se duas colheres das de chá do pó na xícara, adiciona-se água quente, mexe-se, e o café está pronto para receber açúcar e ser ingerido.

O gosto não é dos piores e é muito superior ao café servido nos bares norte-americanos. O segredo é deixar o pó baixar e curtir uma forma culturalmente diferente de fazer café. Afinal, quem disse que o nosso método é o mais correto????

BALINICES

Estátuas de deuses nos cruzamentos

Embora o idioma nacional seja o indonésio, praticamente cada ilha - e elas são milhares - tem sua língua própria, o que faz do país uma Torre re Babel. Avisos são escritos na lingua oficial, porém, a conversa entre balinenses vai ser sempre em balinês e não em Bahasa (indonésio). O país é uma república presidencialista  que amarga a posição preocupante de número 121 no IDH da ONU.

Bali é uma ilha com 80% da população hindu, rodeada de muçulmanos por todos os lados. Talvez por isso, seja considerada liberal demais em relação aos padrões morais do restante da Indonésia. Apesar de também terem de rezar três vezes ao dia, de permanecerem virgens até o casamento, os balinenses não levam isso muito a sério.

Tanto é que o governo tenta impedir uma provável explosão demográfica, limitando o numero de filhos a apenas 3, sendo 2 o modelo ideal. Porém, alguns mais afoitos burlam essa regra, principalmente se os primeiros rebentos forem do sexo feminino. O patriarcado considera útil o nascimento de filhos homens para  ajudar os pais nas tarefas mais pesadas.

Às mulheres, em geral, cabem os serviços caseiros e a confecção dos arranjos para as oferendas. E em qualquer ocasião, grupos de homens e grupo de mulheres devem estar separados. Apesar deste ranço machista, já é comum se verem mulheres guiando motocicletas e fazendo atendimento  em lojas.

Templos por toda a cidade 

Mesmo com algumas modernidades inevitáveis, é muito forte a presença da religiosidade na cidade. Incontáveis templos domésticos, dependendo da sua grandiosidade, dão a medida da conta bancária dos donos. Ou seja, quanto maior o templo, mais dinheiro o proprietário tem, ou quer demonstrar tê-lo. O governo incentiva a manutenção da estética tradicional balinense aliviando a carga tributaria de quem seguir os padrões arquitetônicos e culturais do país, mas não faz o mesmo para os templos particulares.

A influência ocidental substituiu, em parte, os tradicionais udangs (pequeno turbante usado pelos homens) e sarongues por camisetas, bonés,  jeans, bermudas. Um pouco como as baianas de Salvador, a tradicional vestimenta é mais usada por quem trabalha em locais  turísticos ou pela população de pequenos vilarejos, onde a tradição ainda resiste. 

No entanto, mesmo para os turistas (homens ou mulheres), quem pretende entrar nos locais considerados sagrados ou em templos públicos deve trajar um sarongue e uma faixa na cintura, que são emprestados nos portões de acesso, em troca de alguma "doação" espontânea.


Os balinenses hindus tem suas crenças e superstições, geralmente ligadas à natureza. Em conversa com o senhor Katut, ele me contou que se o Kego, um lagarto típico da mata local, "cantar" , significa que o que se está falando é verdade. Ja o canto de um pássaro, que lembra um murmúrio, revela um me

O VOO - ENFIM, BALI

Campos de arooz, em Ububd

Avião lotado. Na fila de três assentos o meu era o do meio, entre uma californiana gorda simpática e uma holandesa loira, que morara em Angola, e acreditava poder balbuciar algo em português. No frigir dos ovos, o idioma comum entre nós era mesmo o inglês.

Depois de quase 14 horas, chegamos ao aeroporto de Singapura, numa conexão não prevista no roteiro fornecido pela KLM. O comandante anunciou que a permanência em território chinês seria de aproximadamente 40 minutos.

Sobrevoamos um monte de ilhas e aterrissamos num aeroporto moderno, com internet grátis em laptops e numa ilha de dois computadores, logo ocupados pelos passageiros. Olhei o relógio na parede e acertei o meu para o horário chinês: 15h45 do dia 9.

Atendimento sorridente, mas embarque confuso para o mesmo avião e assentos. Neste trecho de 1.782 km ate Bali, um casal muito jovem, da Malásia, foi meu companheiro nesta viagem de quase 2 horas de duração. Para ficarem juntos, me pediram para que eu mudasse para a poltrona da janela. Achei ótimo e, afinal, era quase impossível não atender a um pedido feito de forma tão educada...

ENFIM, BALI

Templo Taman Ayun


Sonado, ouvi do comandante a milagosa notícia de que "em poucos minutos aterrissaríamos no aeroporto de Bali, onde a temperatura é de 26 graus centígrados". Minha mochila, que disfarçava o monte de coisas dentro dela, parecia pesar toneladas, quando eu percorria o longo corredor que me despejaria no controle de imigração.

Eu já sabia que iria precisar de exatamente 25 dólares para obter o visto de 30 dias. O que eu não sabia é que esta seria a mesma intenção de uma multidão incalculável de turistas barulhentos. Meia hora na fila para comprar o visto, e mais 1 hora numa fila imensa para passar pelo controle de passaportes.

Exausto, me deparo enfim com meu nome numa bem-vinda placa, que um balinês sorridente exibia a cada passageiro que despontava na porta de saída.  Agradeci o mais que pude por ele ter tido a paciência de me aguardar com quase 2 horas de atraso do horário combinado. Só Brahma, o iluminado, explica.

O aeroporto de Denpasar fica a quase uma hora de carro (velocidade alta) de Ubud, onde eu passaria 9 noites. Em vão, o motorista tentava encompridar um papo desnecessário àquelas alturas.. Embalado pelo motor do possante carro, eu cochilava sem entender o inglês capenga do rapaz.

Meu organismo procurava entender se era almoço, jantar ou café da manhã que deveria sugerir ao meu cérebro cansado de quase 16 horas insone. So pra me manter desperto, perguntei se haveria algo para um possível jantar. Sim, haveria.


(L)INDONÉSIA - O EMBARQUE

Templo Tanan Lot


Não lembro de ter qualquer TOC. Mas ao saber que teria de trancar a porta do apartamento com a chave dentro,  me vi obrigado a voltar duas vezes para me certificar de que nao havia esquecido nada. O medo era justificável: Frau Erika havia viajado, só voltaria no dia seguinte e ela seria a única pessoa a ter uma chave sobressalente.

Arrastei minha mala , montei minha mochila nas costas e dei adeus aquele apartamento da Eosanderstrasse, que me acolheu por quase 2 meses. O voo tinha embarque previsto para as 18h50 do dia 08 de setembro. Então eu estava mineiramente adiantado, quando peguei o ônibus 109 às 15h43, bem ao lado do castelo Charlottenburg.

Eu ja havia tomado este 109 outras vezes e sabia que ele venceria o trajeto até o aeroporto Tegel em menos de 15 minutos. Mostrei ao motorista pela ultima vez meu bilhete mensal, que só venceria dali a 10 dias, e me sentei num banco de corredor, de modo que a mala se acomodasse ao meu lado. (Num solavanco do ônibus, a mala correu como que desesperada pelo corredor do ônibus e eu atrás tentando alcançá-la. Quase morro de rir!)

Desembarquei e percebi que um rapaz pedia a cada passageiro que descia que lhe desse o bilhete de ônibus. Ele tinha esperança de poder usar o tempo restante de duas horas de validade de uma passagem simples. Chegou a minha vez e decidi que ele ficaria com meu bilhete mensal. Fiz a minha boa ação do dia e o rapaz, com certeza um imigrante do Leste europeu, abriu um sorrisão ao ver que ganhara 10 dias de uso ilimitado da minha passagem.


Exatamente às 18h50, a aeromoça da KLM anunciava o inicio do embarque dos passageiros do voo 1834 para Amsterdam, onde haveria troca de aeronave. No aeroporto holandês de Shiphol, me restavam exatos 60 minutos para o embarque no internacional KL0834. Sorte que era no mesmo Terminal, porém no portão 24, ou seja, várias esteiras rolantes adiante. "Yes, we can", lembrou-me Obama.